Sedação consciente: mais conforto para o paciente – parte II

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De acordo com os especialistas, o óxido nitroso não apresenta efeitos adversos sobre o sistema cardiovascular, respiratório, fígado, rim e cérebro e, portanto, pode ser utilizado, inclusive, em pacientes que requerem cuidados especiais, como cardio­patas, diabéticos e hipertensos. “Adultos, crianças, idosos ou pessoas que necessitem de cuidados especiais podem utilizar esta sedação para controlar o medo, a ansiedade e até mesmo o comportamento, sendo indicado especialmente para porta­dores de deficiências”, acrescentam os doutores.

A maioria dos tratamentos odontológicos, em diversas es­pecialidades, pode ser executada com a sedação com óxido nitroso, como cirurgias, endodontias, procedimentos longos e outros.

Entretanto, algumas práticas odontológicas são otimizadas com uso da sedação consciente, como os tratamentos em crianças e em pacientes com alteração de comportamento, as cirurgias e os procedimentos longos e complexos.

 

Contraindicações 

São poucos os casos em que o óxido nitroso não é aconselhá­vel. Dentre eles, em pacientes com alterações de personalidade, crianças com problemas de conduta, claustrofóbicos, respirado­res bucais e pacientes com obstruções das vias respiratórias ou com doença pulmonar obstrutiva crônica.

O histórico do paciente e a associação do óxido nitroso com ou­tras drogas devem receber um cuidado constante do profissional. “O cirurgião-dentista deve saber as drogas utilizadas e seu po­tencial para produzir efeitos adversos e ainda ter o conhecimento do estado físico e da história do paciente, para estar apto a exer­cer a técnica de sedação com óxido nitroso, para que em caso de emergência o quadro seja revertido rapidamente”, alerta o Dr. José Reynaldo, especialista em Odontopediatria pela FO-UNICAMP, especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais pelo CFO, mestre em Odontologia Legal e Deontologia pela FOUSP e mestre em Ciências Odontológicas pela FOUSP.

 


Habilitação 

Para utilizar no consultório a técnica da sedação consciente, os dentistas devem se habilitar em um curso específico, onde te­rão a oportunidade de aprender os conceitos de dor e ansieda­de, avaliação física e psicológica do paciente, monitoramento durante a sedação, emergências médicas, além de treinamento em suporte básico de vida.

No Brasil, a Lei nº. 5081, de 24 de agosto de 1966, que regula­menta o exercício da profissão odontológica, em seu artigo 6º, item VI, autoriza o cirurgião-dentista a aplicar a analgesia, desde que o profissional esteja comprovadamente habilitado e a mes­ma seja indicada como meio eficaz para o tratamento. O uso do óxido nitroso como forma de analgesia em consultório odonto­lógico e os cursos de habilitação foram disciplinados na resolu­ção 51/2004 do Conselho Federal de Odontologia.

 

Monitoramento constante

De acordo com o Dr. Marcelo, que é especialista em cirurgia buco­maxilofacial, habilitado em sedação com óxido nitroso, coordenador do projeto social “Vila Maria um caso de amor” e membro da Câ­mara Técnica de especialidades do CROSP, como todos os sedativos podem produzir depressão da respiração, é necessária a constante monitoração do paciente, com a observação da respiração, oxime­tria de pulso, monitoramento cardíaco e controle da pressão arterial.

Para o dentista, diversos tipos de monitores podem ser utilizados durante a sedação consciente, entre eles os mais comuns são: os oxímetros de pulso, aparelhos de pressão, estetoscópios precordiais e termômetros. “O oxímetro de pulso é um instrumento fechado que monitora de modo não invasivo a saturação de oxigênio das moléculas de hemoglobina no sangue do paciente e o ritmo cardíaco do paciente”, acrescenta.

 

Pacientes com necessidades especiais precisam de atenção redobrada

O Dr. Marcelo Diniz de Pinho, apto na utilização da sedação consciente, destaca o uso do procedimento em pacientes com necessidades especiais que necessitam de atenção redobrada, como os portadores de doenças cardiovasculares, neurovasculares, hepáticas, convulsivas, alérgicas e diabéticos compensados. “A técnica pode ser considerada como método farmacológico de condicionamento em pacientes com necessidades especiais”, afirma.

No entanto, o profissional deve estar sempre atento. “Em pacientes com necessidades especiais e com dificuldade de comunica­ção (devido aos problemas neurológicos) temos que avaliar bem a indicação da técnica. Precisamos da colaboração do paciente e tomar o devido cuidado com interações medicamentosas de determinados fármacos, principalmente depressores do sistema nervoso central, que podem ser potencializados pela sedação; e ao invés de sedar pode levar o paciente a um estágio mais profundo e causar uma depressão no sistema respiratório e cardíaco”, alerta o Dr. Marcelo.

O dentista cita alguns casos que considera a sedação consciente inapropriada: em diabéticos descompensados, usuários de ben­zodiazepínicos, coagulopatias, infecção sistêmica e respiratória alta, temperatura superior a 38ºC, obesidade severa, asmáticos, anêmicos e pacientes com transtornos psiquiátricos.

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