Reabilitação estética em paciente com amelogênese imperfeita: Relato de caso

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Resumo

Antes de mais nada a demanda por procedimentos estéticos por parte dos pacientes tem motivado os profissionais de Odontologia a buscar alternativas que possam aliar estética e preservação dentária.


Nesse contexto, a amelogênese imperfeita pode ser considerada um desafio, já que é
caracterizada por ser uma anomalia genética que afeta a formação do esmalte dentário pela diferenciação anormal dos ameloblastos. Resultando assim em alterações dos padrões dentários, tanto anatômicos quanto histológicos. Da mesma forma causando hipoplasia e hipomineralização do esmalte.  
Desta maneira, frequentemente, pacientes com amelogenese imperfeita apresentam variados graus de insatisfação com relação a estética do sorriso¹.


Dessa forma dentre os objetivos do tratamento a esses pacientes, incluem-se a redução da sensibilidade e a melhora da estética orofacial e da função
². Historicamente, pacientes acometidos por essa condição costumavam ser tratados com extrações e a confecção de próteses totais. Entretanto esta opção pode ser psicologicamente danosa, especialmente para pacientes jovens³.
O tratamento da amelogênese imperfeita pode ser realizado através de orientação de prevenção à cárie dental, procedimentos de microabrasão, facetas, inlays. Do mesmo modo onlays, overlays ou até mesmo coroas totais⁴.
 Em síntese com o advento da Odontologia restauradora adesiva⁵ e da evolução das cerâmicas dentais ⁶-⁸, tornou-se possível optar por um tratamento estético-reabilitador menos invasivo e mais previsível.


O relato de caso proposto a seguir visa devolver a estética e a autoestima da paciente através de um planejamento interdisciplinar envolvendo cirurgia periodontal, do mesmo modo com o reestabelecimento estéticofuncional por meio de preparos minimamente invasivos e laminados cerâmicos.

Relato de caso

Paciente do sexo feminino, 31 anos, apresentava amelogênese imperfeita em todos os elementos dentários e queixava-se de insatisfação estética, além de uma constante preocupação com a fragilidade dos seus dentes. A princípio o exame extraoral, nenhuma anormalidade ou assimetria foi constatada. Já o exame intraoral evidenciou a presença de dentes amarelados e manchados, diastemas generalizados, irregularidades na superfície de todos os dentes, importante desarmonia gengival, assim como a presença de restaurações deficientes em resina composta nos dentes anteriores, confirmada pelos exames radiográficos (Fig. 1 e 2). Dessa forma a paciente apresentava higiene bucal adequada e dimensão vertical inalterada, apesar da variação anatômica dos elementos posteriores.

Veja a Reabilitação estética em paciente com amelogênese imperfeita:

Fig. 1- aspecto inicial

 

Fig. 2- aspecto inicial

Logo após análise clínica criteriosa (radiografias e a avaliação de modelos de estudo), foram apresentadas à paciente as possibilidades terapêuticas e foi elaborado um plano de tratamento que envolveria cirurgia periodontal para aumento de coroa clínica e recontorno das margens gengivais dos elementos 15 ao 25, clareamento e laminados cerâmicos dos elementos 15 ao 25 para reabilitação estética.
Após 3 meses da realização da cirurgia periodontal, os tecidos moles já se encontravam maduros para que o processo de preparo e moldagem dos elementos envolvidos pudesse ser realizado (Fig. 3)

Fig. 3

Antes de tudo foi realizada uma moldagem total dos arcos superior e inferior com silicone por adição (Futura AD, Nova DFL) pela técnica da moldagem dupla para a confecção de modelos e posterior enceramento diagnóstico dos elementos a serem restaurados (Fig. 4).

Fig. 4- Moldagem com o Silicone Futura AD (Nova DFL)

A partir do enceramento diagnóstico, foi confeccionado um guia em silicone por adição (Futura AD, Nova DFL) para que o enceramento pudesse ser provado através de um mock-up, onde foi possível avaliar tanto parâmetros estéticos, quanto aspectos funcionais (Fig. 5 e 6).

Fig. 5 -Enceramento diagnóstico e guia de silicone para mock-up

Fig. 6 – Mock -up

Após a aprovação da paciente e da equipe envolvida, procedeu-se o preparo dental. No
intuito de orientar o desgaste a ser realizado, foi confeccionado um guia com o material pesado de um silicone por condensação (Clonage, Nova DFL) sobre o enceramento diagnóstico para que o preparo dental fosse mais conservador e previsível (Fig. 7 e 8).

Fig. 7 – Guia para orientação dos preparos em silicone por condensação (Clonage, Nova DFL)

Fig. 8 – Preparos dentais

Em seguida, a técnica de afastamento gengival com duplo fio foi realizada. Antes de mais nada Um primeiro fio de menor diâmetro foi impregnado com solução hemostática e inserido delicadamente no sulco gengival, ficando totalmente submerso no sulco. Em seguida, um fio de maior diâmetro foi inserido, promovendo o afastamento gengival adequado para a realização de uma moldagem precisa dos preparos dentais (Fig. 9).

Fig. 9 – Fio de maior calibre inserido no sulco gengival para moldagem em dois passos

Posteriormente a técnica de moldagem dupla foi empregada utilizando silicone por adição (Futura AD,
Nova DFL) (Fig. 10). O material pesado foi manipulado até que se obtivesse uma consistência homogênea e então inserido na moldeira que foi levada à boca (Fig. 11 e 12).

Fig. 10 – Base pesada do silicone por adição (Futura AD, Nova DFL)

Fig. 11 – Manipulação da base pesada (Base + Catalisador)

Fig. 12 – Primeira moldagem com base pesada do silicone por adição

Enfim após aguardar o tempo de presa do material e realização de um alívio, foi iniciada a
remoção do fio de maior diâmetro. Dessa maneira, um espaço foi criado e o material de consistência leve (Futura AD Light, Nova DFL) foi inserido na região do sulco e término do preparo com uma pistola de automistura e ponta intraoral (Fig. 13). Posteriormente a moldeira com o material denso foi levada à boca aguardando o tempo total de presa do material (Fig 14).

Fig. 13 – Remoção do fio de maior calibre e inserção do material leve (Futura AD Light, Nova DFL)

 

Fig. 14 – Segundo passo da moldagem

Logo após a remoção da moldeira, o fio de menor calibre foi removido e o local foi lavado
abundantemente, obtendo-se então um molde satisfatório. Posteriormente o mesmo foi enviado ao laboratório para a confecção dos laminados cerâmicos (Fig. 15).

Fig. 15 – Prova das restaurações cerâmicas

Logo após a prova das facetas cerâmicas e avaliação da adaptação e dos contatos proximais, procedeu-se a cimentação dos laminados e ajustes oclusais. Dessa forma o resultado final mostrou-se satisfatório do ponto de vista estético e funcional, contemplando a expectativa do paciente (Fig. 16 – 18).

Fig. 16 – Resultado final vista frontal

 

Leia Também:  Cosmética anterior: transformação do sorriso utilizando resinas compostas e práticas clínicas minimamente invasivas.

Fig. 17 – Resultado final vista lateral

Fig. 18 – Sorriso final

Conclusão

em conclusão o relato de caso apresentado expõe a importância dos avanços no desenvolvimento dos materiais odontológicos aliados às técnicas de preparo minimamente invasivas. Dessa forma esses avanços permitem a resolução de situações clínicas com deficiência estética e funcional, como nos casos de amelogênese imperfeita, possibilitando um resultado previsível e satisfatório.

Referências Bibliográficas

1- Backman B, Holmgren G. Amelogenesis imperfecta: a genetic study. Hum Hered.
1988;38:189-206.

2- Gokce K, Canpolat C, Ozel E. Restoring function and esthetics in a patient with amelogenesis Imperfecta: a case report. J Contemp Dent Pract. 2007; 8(4):95-101.

3- Bouvier D, Duprez J-P, Pirel C, Vincent B. Amelogenesis imperfecta-a prosthetic rehabilitation: a clinical report. J Prosth Dent.1999; 82(2):130-1.

4- Williams WP, Becker LH. Amelogenesis imperfecta: functional and esthetic restoration of a severely compromised dentition. Quintessence Int. 2000 Jun; 31(6):397-403

5- Buonocore MG. A simple method of increasing the adhesion of acrylic filling materials to
enamel surfaces. J Dent Res. 1955 Dec; 34(6):849-53.

6- Conceição EN. Dentística: saúde e estética. Porto Alegre: Artmed; 2000.

7- Conceição EN. Restaurações estéticas. Compósitos, cerâmicas e implantes. Porto Alegre:
Artmed; 2005.

8- Baratieri LN. Odontologia restauradora. Fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos; 2001

Relacionado: Amelogênese imperfeita em paciente nefropata: relato de uma reabilitação oral conservadora

Autores:

Igor Paulinelli
-Mestre em Clínica Odontológica – UFF
-Especialista em Implantodontia – ABO-Niterói

Karin Egger
-Mestre em Clínica Odontológica – UFF
-Especialista em Prótese Dentária – UERJ

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