Pacientes com necessidades especiais se beneficiam com atendimento odontológico especializado

0
160

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), 10% da população mundial apresenta algum tipo de deficiência, de caráter temporário ou definitivo. No Brasil, de acordo com o último censo, cerca de 24,5% da população apresenta algum tipo de deficiência intelectual, física, auditiva, visual ou deficiências múltiplas. Para a Odontologia, entretanto, além desses pacientes, outros grupos de pessoas requerem um atendimento odontológico especial, como portadores de anomalias congênitas, alterações comportamentais (autismo e outras), psiquiátricas, doenças sistêmicas crônicas, infectocontagiosas e condições sistêmicas (pacientes irradiados, imunossuprimidos e transplantados). Estudos comprovam que um tratamento odontológico especializado pode melhorar bastante a qualidade de vida desses pacientes e de seus familiares.

A cirurgiã-dentista Aida Sabbagh Haddad acredita tratar-se de um grupo com maior propensão ao desenvolvimento de doenças bucais, já que costuma apresentar alteração salivar, dieta cariogênica e dificuldade ou falta de conhecimento da correta higienização bucal.

A especialista alerta que não basta ter boa vontade. “É preciso compreender que necessidades são essas para evitar que o atendimento odontológico se transforme numa experiência amarga ao profissional e traumática para o paciente. Geralmente, são indivíduos das mais diferentes faixas etárias com problemas intelectuais de diversos níveis, podendo se apresentar isoladamente ou com outras doenças. Distúrbios neuromotores, por exemplo, são também muito frequentes além de doenças graves e até mesmo dificuldades emocionais e sociais. Por esse motivo é que, no Brasil, Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais é uma especialidade odontológica que vem ganhando cada vez mais visibilidade pelo elevado grau de aprimoramento técnico e científico nos cuidados a eles dedicados”.

Aida também chama atenção para a importância de o profissional identificar a resposta do paciente ao ambiente e ao vínculo entre o cirurgião-dentista, o paciente e seu responsável. “Muitas vezes, um trabalho de dessensibilização é fundamental para que se estabeleça uma relação de confiança e para que o paciente se sinta mais confortável naquele ambiente – seja no consultório, seja numa clínica ou hospital. O importante é criar vínculos que permitam o desenrolar do tratamento”.

De acordo com a especialista, a dessensibilização geralmente envolve um processo de exercícios que incluem massagem, estimulação, relaxamento e contato, entre outros. Além de permitir que o paciente se acostume a ser tocado, é fundamental para atenuar o estresse em torno da ida ao consultório odontológico e tudo o que está envolvido no procedimento, desde a administração da anestesia, permanecer de boca aberta por algum tempo, até ouvir o som do motorzinho. “Cada paciente submetido ao atendimento odontológico precisa ser monitorado em todos os aspectos pelo profissional especializado, minimizando possíveis complicações. Por isso é tão importante um elevado grau de aprimoramento nos cuidados com todos os pacientes com necessidades especiais”.

Fonte: Prof. Dra. Aida Sabbagh Haddad, Presidente da Comissão Científica da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), Diretora do Departamento Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais e professora da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD – www.apcd.org.br

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here