Mucosite Oral

0
288
Figura 3

A mucosite oral é uma reação tóxica inflamatória que afeta todo o trato gastrintestinal, podendo ocorrer por exposições a agentes quimioterápicos e/ou radioterápicos. Esta toxicidade age diminuindo ou inibindo a divisão celular das células epiteliais da camada basal levando a exposição do tecido conjuntivo.

As características clínicas são: dor, eritema, edema, sangramento, ardência bucal, lesões brancas elevadas descamativas (pseudomembranas), lesões ulcerativas extensas, alteração da voz e incapacidade de alimentação oral.

Podemos observar mucosite oral em diferentes graus de severidade. Clinicamente podem ser divididas de Grau 0 a 4, em ordem crescente de comprometimento e extensão das lesões.

As áreas da cavidade oral vulneráveis a estomatotoxicidade direta são: palato mole, mucosa jugal, lábios, superfície ventral da língua e assoalho da boca. As áreas pouco ou raramente afetadas são: palato duro, gengiva e dorso da língua.

A etiologia da mucosite pode ser relacionada à injúria direta sobre as células basais do epitélio provocada pelo citotoxidade do tratamento oncológico (quimioterapia e/ou radioterapia). Estas lesões em pacientes submetidos a quimioterapia estão relacionadas a dose, o tipo de quimioterápico, o protocolo de administração e as associações das drogas. Nos tratamentos radioterápicos de pacientes com neoplasias de cabeça e pescoço, as injúrias estão relacionadas a região a ser radiada e a dose total de radiação a ser recebida. Outros fatores etiológicos importantes são: distúrbios na imunidade da mucosa, exacerbação da injúria devido a ação de metabólitos produzidos pela microflora bucal e comprometimento da reparação das feridas devido à infecção e anemia.

A prevenção da mucosite oral é possível, quando o tratamento odontológico acontece previamente ao tratamento antineoplásico. Os pacientes devem ser orientados pelos médicos responsáveis a procurar avaliação odontológica, assim como, receber acompanhamento destes profissionais durante o tratamento sistêmico.

O controle químico do biofilme oral, orientação de higiene oral adequado, analgesia e antibióticos sistêmicos, anestésicos tópicos, orientação nutricional e laserterapia são as propostas de tratamento destas lesões orais.

A laserterapia é utilizada tanto na prevenção como no tratamento das mucosite orais. Ela proporciona uma reparação tecidual, redução do edema, analgesia e aumento da imunidade local. Desta forma, o paciente consegue manter sua alimentação oral, o que em muitos casos, leva a diminuição do tempo de internação.

Todos os pacientes oncológicos necessitam de cuidados especiais englobando uma equipe multidisciplinar, proporcionando desta forma, maior qualidade de vida durante o tratamento sistêmico.

 

Caso clínico 

Paciente em quimioterapia desenvolveu mucosite oral Grau 4 (Fig 1). Foi submetida a todos os cuidados sistêmicos e orais, seguido de laserterapia. Evolução em 7 dias (Fig.2). Reparação tecidual completa em 15 dias (Fig.3).

Figura 1
Figura 1
Figura 2
Figura 2
Figura 3
Figura 3

 

 

 

4

Dra. Elienai de Jesus da Silva / CROSP – 37182

elienaijs@ig.com.br

Graduada em Odontologia pela UMC, Pós graduada em Endodontia pela UNESP de Araraquara e em Estomatologia pela UNISA. Com Habilitação em Odontologia Hospitalar e Habilitação em Laserterapia

 

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here