ENTREVISTA COM O PROFESSOR CAPELOZZA

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Nosso blog, entrevistou com exclusividade no último mês, um dos grandes mentores da Ortodontia, Leopoldino Capelozza Filho. Nesta entrevista, pode-se subtrair um pouco do raciocínio claro do Prof. Capelozza, que “passeia” sobre o tratamento em fissurados, pontuando sua visão nos tratamentos compensatórios e a necessidade de se atualizar sempre.

 

Blog Dental Gutierre: Qual a possibilidade de tratamento ortodôntico em pacientes fissurados?

Capelozza: Hoje em dia é quase total. O tratamento de fissura ficou muito simples, pois as técnicas melhoraram muito. Não há mais indicação para cirurgias repetidas, pois se foi determinado um tempo de reabilitação. Por exemplo, se você fecha um lábio com 3 meses e a cicatriz não ficar legal, você não fica mexendo nele em seguida como se mexia. Só vai mexer novamente na fase pré-escolar, com 6 ou 7 anos. O palato é fechado geralmente em duas etapas, antes as etapas eram próximas. Agora você fecha o palato mole e atrasa o fechamento do duro, ou, se possível fecha os dois de uma vez e a criança fica livre até os 6 anos, quando ela fará novas avaliações.

O mais importante é enxerto, que aproximadamente entre 9 e 11 anos é feito na criança na área do alvéolo e elimina a fissura. E a criança é preparada com o enxerto com o aparelho, coloca o enxerto, retira o aparelho e a criança é tratada e preparada como uma pessoa normal. O tratamento do século 21 é muito melhor que o tratamento que era feito antes, as coisas evoluíram muito.

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Blog Dental Gutierre: Fale um pouco sobre a individualização do tratamento ortodôntico, que inclusive é o tema da sua palestra no evento da CEDEFACE, patrocinado pela Dental Gutierre.

Capelozza: O tratamento ortodôntico sempre foi individualizado, mas o que determinava a individualização era as necessidades específicas de cada paciente. O ortodontista planejava fazer a mesma coisa para todo mundo, mas evidentemente não dava certo. Então, na clínica, na cadeira ele fazia as arrumações. Eu falo fazia porque estou sendo bom, pois tem muita gente que ainda faz isso. Mas não devia, pois as evidências científicas indicam que cada paciente deve receber uma meta específica. Claro que não é todo mundo, pois os estudos indicam que 50% dos pacientes em tratamento tem alguma deficiência mandibular. Na maior parte deles não é significativa, se for tem que operar. E quando não tem, tem que tratar com compulsoriamente, ou seja a meta de posição dentária de um paciente com deficiência mandibular que será tratado com aparelho é diferente de um paciente normal, ou paciente 1.

Blog Dental Gutierre: É possível “mascarar” a deficiência na base óssea em um tratamento ortodôntico?

Capelozza: Hoje isso está definido, há critérios. Eu, por exemplo, uso em cada tipo de paciente um bráquete diferente. Meus tratamentos são muito eficientes e rápidos. Mas é importante o paciente entender que compensação não é correção. Ele não pode fazer um tratamento compensatório e aspirar a normalidade absoluta. Em alguns casos serão necessários fazer algum tipo de cirurgia.

Blog Dental Gutierre: Podemos esperar novidades em suas prescrições em breve?

Capelozza: Sim, estão vindo seis novas prescrições. Aliás três já estão no mercado, as outras estão esperando a regulamentação pela Anvisa. A ideia que tão logo seja possível, o ortodontista terá várias opções para escolher a melhor prescrição para cada caso. Mas para escolher ele tem que saber, tem que estudar. Muita gente ignora isso, pois não quer aprender. Trabalhar como eu trabalho pressupõe um profundo conhecimento em ortodontia. Sem falsa modéstia, eu dediquei minha vida inteira para construir este raciocínio do qual o bráquete é apenas uma consequência.

Blog Dental Gutierre: Sendo assim, o profissional de ortodontia tem e terá novas opções para tratar cada caso. Mas como aprender a lidar com essas novidades?

Capelozza: Ele tem que estudar, ler. Tudo que eu faço está escrito e documentado. Tenho 3 livros escritos e mais de 200 artigos publicados. O profissional tem que ter o interesse em saber cada vez mais.

NOSSO ENTREVISTADO

leopoldino

Possui graduação em Odontologia pela Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (1972), mestrado em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (1976) e doutorado em Reabilitação Oral, área Periodontia pela Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (1979). Iniciou sua carreira profissional como fundador e responsável pelo setor de Ortodontia do Centrinho (HRAC-USP), aonde atuou como ortodontista até maio de 2011, atualmente participa como docente na pós-graduação desta mesma instituição. No início da década de 80 acrescentou às suas atividades a prática da Ortodontia em clínica particular, desenvolvendo extensa experiência em tratamentos ortodônticos de crianças e adultos, com deformidades dentárias e/ou esqueléticas, e odontologia de acompanhamento. Atualmente é professor aposentado da Universidade de São Paulo, professor do Curso de Pós-Graduação em Fissuras Orofaciais Mestrado (HRAC-USP), assessor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, membro titular da Associação Paulista de Especialistas em Ortodontia e Ortopedia Facial, membro do Conselho Científico da VM Comunicações, membro do corpo editorial das revistas JBO – Jornal Brasileiro de Ortodontia & Ortopedia Facial, Revista Dental Press de Ortodontia e Ortopedia Facial e revista Ortho Science. Possui inúmeras publicações em revistas nacionais e internacionais, e expressiva participação em congressos da especialidade, atualmente também mantém a coordenação do Curso de Especialização em Ortodontia (Profis), do Curso de Especialização em Ortodontia (Universidade do Sagrado Coração – USC) e colabora com vários cursos de pós-graduação em Ortodontia.

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