ANÁLISE CEFALOMÉTRICA DE TWEED

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A cefalometria é um meio importante para auxiliar no diagnóstico, no plano de tratamento das maloclusões, no prognóstico e na avaliação do tratamento ortodôntico em execução. As análises cefalométricas avaliam linear ou angularmente a posição relativa de dentes, ossos da face e do crânio, fornecendo um “mapa” do individuo. O autor Tweed considerava fundamental: a estética facial, aparelho mastigatório funcional, periodonto saudável, estabilidade dentária pós-tratamento.

 

                                   TRIÂNGULO FACIAL

FMIA: ângulo formado pela intersecção do longo eixo do incisivo inferior  com o Plano Horizontal de  Frankfurt.

FMA: ângulo formado pela intersecção do plano mandibular com o plano horizontal.

IMPA: ângulo formado pela intersecção do longo eixo do incisivo central inferior com o plano mandibular.

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O posicionamento ideal dos incisivos inferiores frente ao conjunto, independentemente da idade ou tipo de má oclusão do paciente, é importante para o ortodontista. Este fornecerá o limite vestibular do arco dental mandibular permitindo que, no sentido anteroposterior, os dentes harmonizem-se com a estética facial e com a função mastigatória e estabilizem-se nesta posição.

Meta-cefalométrica – exato ponto onde o incisivo inferior deve situar-se quando avaliado em um cefalograma lateral.

Discrepância cefalométrica – diferença entre a posição ideal do incisivo inferior e a que o paciente apresenta.

Tweed dividiu seus casos em dois grupos, os que apresentavam bons resultados, com equilíbrio, harmonia e beleza, tanto dos dentes como da face, e aqueles nos quais os resultados foram pobres. No primeiro grupo os incisivos inferiores estão verticalizados sobre o osso basal (entre 85° e 95° com relação à base da mandíbula, este ângulo posteriormente chamado de “Incisor Mandibular Plane Angle” (IMPA)).

Em 1946, baseando-se só em fotografias faciais de frente e de perfil, e em modelos de gesso, Tweed sugere o “ Frankfurt-Mandibular Plane Angle” (FMA) como auxiliar no diagnóstico, planejamento e prognóstico do tratamento. Este ângulo, composto pelo PLANO DE FRANKFURT e PLANO MANDIBULAR, evidencia a direção de crescimento facial do paciente e indica o prognóstico do caso:

FMA entre  16° e 28° – Prognóstico excelente

FMA entre  28° e 32° – Prognóstico bom

FMA entre 32° e 35° – Prognóstico regular

FMA acima de 35°     – Prognóstico desfavorável

 

O triângulo de Tweed é formado pelos ângulos do FMIA, FMA e IMPA. Os valores considerados normais são:

ÂNGULO                                          VALOR NORMAL

FMA                                                              25°

FMIA                                                            68°

IMPA                                                            87°

 

Guiado pelo FMA, (ângulo que sofria menor influência no tratamento ortodôntico), Tweed determinou:

FMA ≤  20° o IMPA poderá ser aumentado até 92°

FMA = 25° ± 4° ângulo FMIA entre  65° a 70° com média de 68°

FMA  ≥ 30°   ângulo FMIA em torno de  65°

 

Com estes dados estabelece a discrepância cefalométrica conforme análise de Tweed, a partir do traçado cefalométrico padrão USP:

  • Estabelece os valores angulares de FMA, FMIA e IMPA a partir do cefalograma.
  • Dependendo do valor do FMA, determinar qual será o valor angular ideal para FMIA ou para o IMPA.
  • Se o FMA for = a 25° ± 4° ou valor maior ou igual a 30° estabelecemos a discrepância cefalométrica, em graus, diminuindo-se do FMIA do paciente, o FMIA ideal.

DC (em graus) = FMIA do paciente – FMIA ideal

  • Se o FMA ≤ a 20°, determina a discrepância cefalométrica em graus, através da diferença entre o IMPA ideal e o IMPA  do paciente.

DC (em graus) = IMPA ideal – IMPA do paciente

 

Para obtermos a discrepância cefalométrica em milímetros, o que indica quantos milímetros os incisivos deverão ser movidos para lingual ou para vestibular para que alcancem a meta cefalométrica, deve-se dividir a DC (em graus) por 2,5. Isto porque a cada 2,5 graus de projeção ou retração representam 1 mm de movimento da borda incisal. Como a diminuição ou aumento de espaço resultante da movimentação incisal acontece em ambos os lados do arco inferior, o valor será multiplicado por 2.

DC= DC (em graus) x 2 ÷2.5

OU

DC = DC (em graus) x 0.8

A discrepância cefalométrica é nula quando a posição real coincidir com a ideal. Positiva nos casos em que o incisivo inferior está lingualizado em relação a meta cefalométrica e,  portanto, para sua correção ele é vestibularizado, aumentando o espaço no arco.

Negativa indica que o incisivo inferior está vestibularizado em relação à posição ideal e, portanto, para sua correção  implica na lingualização da coroa, diminuindo o perímetro do arco.

VALOR POSITIVO              VESTIBULARIZAR

VALOR NEGATIVO            LINGUALIZAR

 

A discrepância cefalométrica (DC) é somada à discrepância de modelo (DM) a fim de se obter o total de déficit ou excesso de espaço no arco inferior. A soma é denominada discrepância total (DT). Nos pacientes que a discrepância total apresenta valor positivo ou nulo, isto é, nos casos em que há sobra de espaço no arco inferior para a normalização da posição dos incisivos, o tratamento deverá ser realizado sem extrações dentais.

Já a presença de uma DT negativa demonstra a carência de espaço para o posicionamento do incisivo inferior na meta cefalométrica e o ortodontista deverá proceder cuidadoso estudo do caso. De modo geral, o diagnóstico é conservador na presença de discrepâncias totais de pequena magnitude e um bom resultado pode ser obtido através da recuperação de espaço ou de desgastes interproximais. Quando a DT se eleva a patamares em que os desgastes ou as distalizações não são suficientes para a obtenção do espaço, frequentemente recorrem-se às extrações dentais. A opção pela extração ou não de pré-molares se dará em função de inúmeros fatores tais como padrão facial, tipo e quantidade restante de crescimento, condição oclusal, aspecto do perfil mole etc. Contudo, no mais das vezes, pacientes com valores de discrepância total superior a 10 mm são sérios candidatos às extrações.

No caso de se optar por extrações dentais, somaremos a dimensão mesiodistal dos dentes a serem extraídos (em geral dois premolares) ao valor negativo da discrepância total. O saldo resultante é denominado espaço final (E F).

 

EXEMPLO ANÁLISE TWEED

Paciente com FMA de 25° e FMIA de 74°

FMA 20° – 30° = FMIA  68°

DC = FMIA (pac) – FMIA (TWEED) X 0.8

DC = 74° – 68°

DC = 6 X 0.8

DC = + 4,8 mm

Vestibularizar os incisivos inferiores.

 

 

Dr. Jorge Dazio Junior

CROSP: 49.731

Formando em Odontologia pela Universidade de Alfenas (Unifenas), Jorge é especialista em Prótese sobre Implante pela ABO no Distrito Federal e Prótese Fixa e Removível pelo Hospital da Aeronáutica. Atualmente, está concluindo nova especialização: Ortodontia, no IPEO – Instituto Paulista de Estudos Ortodônticos.

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